ESPOROTRICOSE FELINA NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO - BRASIL: CARACTERÍSTICAS CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICAS, MICROBIOLÓGICAS E AVALIAÇÃO DA ACURÁCIA DO EXAME CITOPATOLÓGICO COMO FERRAMENTA DIAGNÓSTICA

Nome: Bruno Carneiro Rediguieri
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 05/03/2021
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Sarah Goncalves Tavares Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Creuza Rachel Vicente Examinador Interno
Luana Rossato Examinador Externo
Sarah Goncalves Tavares Orientador

Resumo: A esporotricose é uma micose de implantação causada por espécies do complexo Sporothrix schenckii, que acomete principalmente o tecido cutâneo e subcutâneo de humanos e animais homeotérmicos. Classicamente, a doença é adquirida por inoculação traumática do microrganismo no tecido subcutâneo, no contato com solo, vegetação e material em decomposição contaminado. A rota alternativa de transmissão (zoonótica) ocorre, frequentemente, por arranhadura ou mordedura de gatos infectados pelo Sporothrix brasiliensis, espécie mais virulenta. A esporotricose felina é uma doença endêmica no Brasil, incluindo o estado do Espírito Santo (ES), com crescimento alarmante de casos. O objetivo deste estudo foi verificar os aspectos clínicos-epidemiológicos e microbiológicos da esporotricose felina no ES, bem como, demonstrar o grau de confiabilidade do exame citopatológico no diagnóstico da doença. De março de 2019 a abril de 2020, foram avaliados 154 casos suspeitos, oriundos de vários municípios do ES. Os animais foram examinados e, após o levantamento de dados clínico-epidemiológicos, submetidos à coleta de amostras biológicas e confecção de lâminas por imprint, para realização do exame citopatológico associado à técnica de panótico rápido. As lâminas foram avaliadas cegamente por dois pesquisadores. Parte da amostra foi semeada em ágar Sabouraud (ASD) e os isolados de Sporothrix recuperados foram caracterizados morfologicamente e molecularmente. Dessa forma, os isolados foram identificados por PCR-espécie-específica, a partir de um fragmento do gene da calmodulina (CAL). Um banco digital de imagens de acesso público foi elaborado empregando a ferramenta online Padlet, a fim de documentar diferentes tipos de lesões dos animais e perfis de lâminas positivas. O grau de confiabilidade do exame citopatológico em relação à cultura foi avaliado utilizando a correspondência entre observadores por meio do coeficiente de concordância de Kappa. Acurácia do método foi determinada por meio do teste de independência Qui-quadrado. Dos 154 gatos, a maioria foi composta por machos (n=109; 70,8%), não-castrados (n=132; 85,7%), com hábito semidomiciliar (n=116; 75,3%), de área urbana (n=150; 97,4%) e com tutor responsável (n=137; 89,0%). A idade média dos animais foi 25,3 meses. Cento e dezesseis (75,3%) amostras foram positivas na citopatologia para esporotricose, enquanto 121 (78,6%) foram confirmadas na cultura. A concordância interobservadores foi alta (coeficiente de Kappa = 0,96). Os valores de sensibilidade, especificidade, preditivos (positivo e negativo) e acurácia foram 95,0%, 97,0%, 99,1%, 84,2% e 95,5%, respectivamente. Todos os isolados de Sporothrix avaliados por ensaio molecular foram identificados como S. brasiliensis. Concluímos que o exame citopatológico por imprint, associado à técnica do panótico rápido, demonstrou alto grau de confiabilidade, independentemente da gravidade do quadro clínico. Ademais, a técnica de PCR espécie-específica utilizada foi capaz de identificar S. brasiliensis de forma rápida e com baixo custo. Por fim, essa espécie parece ser o único agente da esporotricose felina no Estado do ES.

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