DISTÚRBIOS DO CRESCIMENTO PLACENTÁRIO E DESFECHO REPRODUTIVO
EM GESTANTES INFECTADAS PELO HIV

Nome: Helena Lucia Barroso dos Reis
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 25/06/2020
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Angelica Espinosa Barbosa Miranda Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Angelica Espinosa Barbosa Miranda Orientador
Crispim Cerutti Junior Examinador Interno
MARIA LUIZA BEZERRA MENEZES Examinador Externo
Mauro Romero Leal Passos Examinador Externo
Moises Palaci Examinador Interno

Resumo: Introdução. Distúrbios do crescimento fetal e placentário são comuns em gestantes infectadas pelo HIV materna pelo HIV e podem ser atribuídos tanto à infecção como às comorbidades não associadas ao vírus. Além de determinantes de morbidade perinatal, constituem marcadores de ambiente intrauterino anormal e de possíveis doenças pós-natais, inclusive doenças na vida adulta. Há vários estudos sobre restrição de crescimento fetal, entretanto, são pouco conhecidas a prevalência e a gravidade dos distúrbios do crescimento placentário em gestantes infectadas pelo HIV.
Objetivo. O objetivo deste estudo foi descrever os distúrbios do crescimento placentário e o desfecho reprodutivo adverso em gestantes infectadas pelo HIV, além de verificar a relação com a gravidade da infecção materna e com o uso de antirretrovirais.
Pacientes e métodos. Estudo de corte transversal de casos em gestantes infectadas pelo HIV que tinham disponíveis os dados dos anexos fetais e conceptos, cuja terminações ocorreram entre novembro de 2001 e novembro de 2014, atendidas em um hospital universitário em Vitória, Espírito Santo. Foram incluídos 122 casos, com idade gestacional (IG) igual ou maior que 154 dias (22 semanas) pós-menstruais, validada por ultrassonografia, com dados clínicos e laboratoriais disponíveis e cujas dimensões placentárias e peso fetal ao nascer foram aferidos. Para a avaliação das dimensões placentárias e peso fetal, em relação aos valores de referência, utilizou-se: pequeno (PIG), adequado (AIG) e grande (GIG) para a IG, quando os valores estavam abaixo de -1,28, entre -1,28 e +1,28 ou acima de + 1,28 escore z, respectivamente, correspondendo aos pontos de corte clínicos que demarcam os 10º. e 90º. percentis. Os nascimentos com ocorrência antes da 37ª semana foram consideradas pré-termo. Foram excluídos os casos com idade gestacional não confiável, com peso fetal ao nascer não disponível e em que anexos fetais não foram enviados ou foram extraviados.
Resultados. Dos 187 casos de requisições de anexos fetais localizadas no período do estudo, foi incluído um total de 122 (65,2%), compreendendo gestantes infectadas pelo HIV e seus recém-nascidos , com mediana de idade de 28 anos (distância interquartílica – DQ: 24-32 anos). Realizaram seis ou mais consultas de pré-natal 66,4% (81/122), sendo 81,9% das gestantes com pelo menos uma gestação anterior (100/122), 66,4% com diagnóstico de infecção pelo HIV anterior à gestação vigente (81/122), 56,5% com critérios para aids (69/122) e 52,4% com carga viral detectável (64/122). A mediana da contagem de linfócitos T-CD4+ foi de 441 céls/mm3 (DQ = 303-620). Observou-se 20,5% de peso placentário PIG (25/122) e 9,3% de espessura placentária PIG (12/122). A área de placenta PIG foi observada em 33,6% (41/122) dos casos e, dentre os casos de peso placentário PIG, 48,0% (12/25) tinham peso fetal PIG. As placentas que apresentaram peso PIG foram as com maior proporção de espessura placentária PIG (P = 0,003). O nascimento pré-termo foi observado em 15,6% dos casos (19/122), morte perinatal em 4,1 % (5/122) e transmissão vertical do HIV em 4,9% dos casos (6/122). Mulheres com ou mais de 36 anos de idade tiveram 5,7 vezes maior probabilidade de ter nascimento pré-termo comparado àquelas com menos de 36 anos. Além disso, pacientes com critérios definidores de aids tiveram 3,7 vezes maior probabilidade de ter nascimento pré-termo. O número de consultas do pré-natal foi inversamente associado ao nascimento pré-termo. Associações estatisticamente significativas foram observadas entre a placenta com area AIG e o uso de inibidor de protease e entre o peso e a área de placenta PIG.
Conclusão. Uma elevada ocorrência de placentas com peso e área PIG foi observada, sendo relacionadas ao peso fetal PIG. Houve associação da área não PIG com uso de IP. Houve maior ocorrência de peso fetal PIG nos casos de peso placentário PIG. O nascimento pré-termo e a morte perinatal foram mais frequentes do que na população em geral e houve associação do nascimento pré-termo com número de consultas no pré-natal, idade materna e Apgar menor que sete no primeiro minuto. A restrição do crescimento placentário foi um distúrbio comum, provavelmente atribuivel ao vírus ou à combinação dos regimes de tratamento antirretroviral.

Acesso ao documento

Acesso à informação
Transparência Pública

© 2013 Universidade Federal do Espírito Santo. Todos os direitos reservados.
Av. Marechal Campos, 1468 - Bonfim, Vitória - ES | CEP 29047-105