Epidemiologia da Rickettsia parkeri cepa Mata Atlântica no Estado do Espírito Santo, Brasil

Nome: Alvaro Adolfo Faccini Martinez
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 06/02/2020
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Crispim Cerutti Junior Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Adriano Pinter dos Santos Examinador Externo
Aloísio Falqueto Examinador Interno
Crispim Cerutti Junior Orientador
Matias Pablo Juan Szabó Examinador Externo
Moises Palaci Examinador Interno

Resumo: Desde 2010, uma nova riquetsiose causada por Rickettsia parkeri, espécie pertencente ao grupo da febre maculosa (GFM) e transmitida pelo carrapato Amblyomma ovale, foi descrita no Brasil. Considerando a ocorrência de A. ovale no estado do Espírito Santo (ES), o presente estudo teve como objetivo a descrição preliminar da epidemiologia de R. parkeri na região de Mata Atlântica desse estado. Entre junho de 2016 e setembro de 2018, 33 localidades de nove municípios do ES foram incluídas no estudo para a detecção molecular e isolamento de riquétsias do GFM, a partir de carrapatos adultos do gênero Amblyomma coletados em cães com acesso livre a zonas de mata. Realizou-se uma triagem sorológica frente a riquétsias do GFM nos cães e seus tutores (humanos), mediante reação de imunofluorescência indireta (RIFI) usando antígenos de Rickettsia rickettsii e R. parkeri. Adicionalmente, as secretarias de saúde locais foram informadas a respeito das manifestações clínicas da infecção por R. parkeri, visando a comunicar qualquer caso suspeito. Foi coletado um total de 280 carrapatos, classificados por meio de chaves taxonômicas como A. ovale (n=152), Amblyomma aureolatum (n=127) e Amblyomma sculptum (n=1). De forma geral, detectou-se DNA de riquétsia em 12/266 carrapatos. O sequenciamento dos produtos de PCR indicou a detecção de R. parkeri cepa Mata Atlântica em 0,7% (1/144) e 0,8% (1/121) dos carrapatos A. ovale e A. aureolatum testados, respectivamente, e de Rickettsia bellii em 8,3% (10/121) dos carrapatos A. aureolatum testados. Dos carrapatos positivos na PCR, conseguiu-se satisfatoriamente um único isolado no laboratório a partir de um espécime de A. aureolatum. O DNA extraído da terceira passagem do isolado, denominado cepa M9A, após caracterização molecular usando o gene riquetsial gltA, apresentou 100% de similaridade com as sequências correspondentes de R. bellii. A soroprevalência frente a riquétsias do GFM nos cães amostrados (n=83) foi de 41% ou 57%, dependendo do antígeno riquetsial (R. rickettsii cepa Taiaçu ou R. parkeri cepa Mata Atlântica, respectivamente). Um total de 37 (45%) cães demonstraram títulos de anticorpos frente a R. parkeri pelo menos quatro vezes maiores do que frente a R. rickettsii. Quanto aos humanos, 10% (4/41) das amostras foram positivas para pelo menos um dos antígenos riquetsiais, com os maiores títulos na faixa de 64 a 128 frente a R. rickettsii e R. parkeri. Nenhum soro humano apresentou diferença de quatro vezes entre os títulos maiores para cada espécie. Por fim, durante o estudo, as secretarias de saúde não comunicaram qualquer caso suspeito de infecção por R. parkeri. Nossos resultados confirmam a presença e exposição a R. parkeri cepa Mata Atlântica, associada a duas espécies de carrapatos antropofílicos (A. ovale e A. aureolatum) que infestam cães domésticos com acesso livre a zonas de mata. Em consequência, deve-se considerar a eventual ocorrência de infecção por R. parkeri em habitantes da região de Mata Atlântica no estado do ES.

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