Abortamento humano: detecção molecular de AAV e de HPV em decídua e vilosidade coriônica.

Nome: Christiane Curi Pereira
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 14/11/2007
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Liliana Cruz Spano Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Angelica Espinosa Barbosa Miranda Examinador Interno
Ledy do Horto dos Santos Oliveira Examinador Externo
Liliana Cruz Spano Orientador

Resumo: O abortamento humano é um evento comum e muitas vezes considerado de causa desconhecida. Alguns vírus são sugeridos como causa da perda gestacional e, dentre eles, o vírus adeno-associado (AAV), que não está comprovadamente associado à doença humana. Os AAVs (tipos AAV1-11), pertencentes à família Parvoviridae, necessitam de vírus helper para sua infeccção produtiva e dentre eles, está o papilomavírus humano (HPV), pertencente à família Papillomaviridae, que foi também sugerido como agente etiológico de aborto. Assim, este estudo se propôs a evidenciar a presença do ácido nucléico de Aav e de HPV em decídua e vilosidade coriônica (VC) provenientes de abortamento humano ocorridos até a 22a semana gestacional. Foram obtidos tecidos de 81 casos de abortamento, sendo 68 não intencionais e 13 intencionais que originaram 118 fragmentos dissecados (66 decíduas e 52 VC). De todos os espécimes, o DNA foi extraído pelas metodologias de DNAzolTM , TRIzolTM e/ou QIAampTM DNA mini Kit e o gene B-globina foi amplificado por PCR como controle. O genoma dos vírus AAV2/5 e HPV foram amplificados (nested-PCR e PCR, respectivamente) usando pares de iniciadores Pan1/Pan3 e Nest1/Nest2 e MY09/11, respectivamente. Os casos positivos para HPV foram submetidos à tipagem para os tipos mais comuns (6, 11, 16, 18, 33). Hibridização in situ (HIS) foi realizada em cortes de tecidos parafinados dos casos positivos para AAV, utilizando-se sonda marcada com digoxigenina. AAV e HPV foram observados em 28% (23/81) e em 10% (8/81) dos casos, respectivamene. Somente o tipo AAV2 foi detectado. Aav foi observado em 18 e em 7 fragmentos de decídua e de VC, respectivametne, enquanto HPV, em 4 e em 5 fragmentos, respectivamente. AAV2 ocorreu em 32% (22/68) e em 8% (1/13) dos aborto não intencionais e intencionais, respectivamente, e HPV, em 10% (7/68) e em 8% 1/13), respectivamente. Somente um caso positivo para HPV foi tipado, correspondendo ao tipo HPV11. HIS revelou genoma do AAV em 3 casos: na decídua, VC ou placa coriônica e em trofoblastos não-vilosos. A taxa de co-infecção do AAV com o vírus helper HPV foi de 26% e com CMV (anteriormente pesquisado), de 9%. Evidência importante de infecção pelo AAV dos tecidos de abortamento foi encontrada no presente estudo, embora em frequência menor do que a encontrada na literatura. O achado somente do tipo AAV2, em detrimento do AAV5, indica ser o mais frequente na população e/ou apresentar tropismo pelos tecidos estudados. A detecção de AAV2 em decídua e em trofoblasto não viloso por HIS sugere que possa haver comprometimento da invasividade das células infectadas e consequente perda gestacional. Frequência de HPV em VC está de acordo com alguns relatos da literatura. HPV foi encontrado em frequência semelhante nos dois tipos de aborto. Casos em que não houve co-infecção com vírus helper, presença de AAV pode ser explicada por latência, replicação autônoma ou co-infecção com outro vírus helper não pesquisado. Os resultados encontrados não permitem inferir relação causal entre AAV e aborto, apesar de Ter sido detectado principalmente em casos de aborto não intencional.
PALAVRAS-CHAVES: AAV; HPV; Tecidos de aborto; PCR; Hibridização in situ.

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