Summary: O Toxoplasma gondii, um protozoário pertencente ao filo Apicomplexa e reconhecido por sua distribuição cosmopolita, possui a capacidade de infectar diversos animais homeotérmicos. Tornando-se assim um ponto focal crítico e desafiador para saúde pública global (One Health). O seu êxito adaptativo é devido ao seu ciclo de vida heteroxeno facultativo, através de uma sucessão complexa de fases sexuadas e assexuadas, o T. gondii mantém uma robusta variabilidade genética, facilitando sua persistência e disseminação em diferentes populações animais (Dubey, 2010). Sob a ótica da Saúde Única, a compreensão da toxoplasmose deixa de ser apenas um conceito teórico para se tornar uma necessidade epidemiológica necessária. A dinâmica da toxoplasmose não é um fenômeno totalmente isolado, pois a transmissão dessa zoonose necessita de uma interação indissociável entre a qualidade dos recursos hídricos, a sanidade dos suínos e a suscetibilidade humana, que estão interligadas formando um ciclo. As análises dos fatos demonstram que as falhas sistêmicas no manejo desta zoonose originam-se, principalmente, da dissociação entre o diagnóstico clínico veterinário e manejo ambiental, evidenciando que modelos de vigilância desprovidos de uma abordagem transetorial são insuficientes para a mitigação efetiva de surtos e da transmissão congênita (Basso et al. 2017; De Barros et al., 2022).Os suínos desempenham um importante papel na epidemiologia da toxoplasmose e atuam como um dos principais reservatórios de cistos viáveis para a infecção humana (Tenter et al., 2000). Embora a tecnificação da suinocultura tenha reduzido a prevalência geral por meio do confinamento e controle de roedores e felinos, estudos demonstram que a circulação do parasito persiste mesmo em sistemas intensivos (Opsteegh et al., 2016). Portanto, a caracterização genética do parasito torna-se especialmente importante no contexto epidemiológico do Brasil. Diferente da Europa e América do Norte, onde predominam linhagens clonais do Tipo II (menos virulentas), o Brasil apresenta uma alta diversidade de genótipos atípicos e recombinantes, frequentemente associados a maior virulência e quadros clínicos severos tanto em humanos quanto em animais de produção (Pena et al., 2008; Dubey et al., 2012). Deste modo, esta pesquisa justifica-se pela necessidade em integrar dados de perdas produtivas locais a modelos robustos de vigilância epidemiológica. Ao investigar a realidade da suinocultura no Espírito Santo, o trabalho oferece uma arquitetura de monitoramento alinhada aos preceitos da Saúde Única, capaz de ser adaptada para o controle de diversas enfermidades emergentes. O resultado esperado é um avanço significativo nas estratégias de mitigação de danos econômicos e na consolidação de um status sanitário superior para a região.
Starting date: 01/01/2026
Deadline (months): 60
Participants:
| Role |
Name |
|---|---|
| Coordinator * | BLIMA FUX |
| Student Doctorate * | LEANDRO ANDRÉ MILHOLLI |
