MODELAGEM DE NICHO ECOLÓGICO DAS ESPÉCIES DE PHLEBOTOMINAE E SUA RELAÇÃO COM A DISTRIBUIÇÃO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA EM REGIÃO ENDÊMICA DO SUDESTE DO BRASIL

Nome: Viviane Coutinho Meneguzzi
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 29/11/2016
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Aloísio Falqueto Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Aloísio Falqueto Orientador
Angelica Espinosa Barbosa Miranda Examinador Interno
Blima Fux Coorientador
Crispim Cerutti Junior Examinador Interno
Guilherme Loureiro Werneck Examinador Externo
Gustavo Rocha Leite Suplente Externo
Jeffrey Jon Shaw Examinador Externo
Moises Palaci Suplente Interno

Resumo: Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é causada por um protozoário do gênero Leishmania e é transmitida por insetos flebotomíneos. O estado do Espírito Santo (ES), área endêmica na região Sudeste do Brasil, tem apresentado elevada prevalência nas últimas décadas, possibilitando a expansão da doença para áreas indenes. Ferramentas computacionais, tais como modelagem de nicho ecológico (ENM), são úteis para predizer o risco potencial de doenças. Neste estudo, ENM foi aplicada para analisar a distribuição potencial das espécies de flebotomíneos e sua relação com a transmissão da LTA no ES, visando a compreender a origem primitiva e a expansão desta doença. Os flebotomíneos foram coletados em 466 localidades rurais entre 1997 e 2013 nas três horas após o crepúsculo, usando uma combinação de captura ativa e passiva. Os insetos foram identificados em nível de espécie e as localidades georreferenciadas. Todos os prontuários dos casos autóctones de LTA atendidos no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM) entre 1978 e 2013 foram avaliados. Vinte e uma variáveis ambientais foram selecionadas a partir da base de dados do Worldclim. Maxent foi usado para construir modelos de distribuição potencial para Nyssomyia intermedia, Nyssomyia whitmani, Migonemyia migonei, Evandromyia lenti, Pressatia choti e casos de LTA. ENMTools foi utilizado para sobrepor os modelos das espécies e dos casos da doença. Os testes de Kruskal-Wallis e do qui-quadrado foram realizados, adotando nível de significância de 5%. Aproximadamente 250.000 espécimes foram capturados pertencentes a 43 espécies. Foram registrados 1.472 casos autóctones de LTA, sendo que 10,8% deles apresentaram lesões de mucosa. A área sob a curva (AUC) foi considerada aceitável para todos os modelos. A declividade foi considerada relevante para todas as espécies identificadas e para os casos da doença. O teste de sobreposição identificou Nyssomyia intermedia como principal vetor de LTA na área de estudo. Há evidências da existência de um ciclo silvestre primitivo de LTA em áreas de Mata Atlântica no Sudeste do Brasil. É possível que Leishmania (Viannia) braziliensis
tenha sido transferido da região Amazônica para áreas de Mata Atlântica, há milhares de anos, por corredores florestais que ligavam os dois biomas. Observou-se diferença entre os prováveis locais de infecção dos pacientes, indicando que houve expansão da doença para o leste do ES, causada possivelmente pela intensificação do fluxo migratório destinado a região metropolitana do ES. As ferramentas de modelagem permitiram uma análise confiável da associação entre variáveis geoclimáticas, distribuição geográfica das espécies vetoras e ocorrência de LTA no ES. Além disso, possibilitaram melhor compreensão dos fatores relacionados à expansão geográfica em áreas de colonização antiga da região Sudeste do Brasil.

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